“O Surrealismo é um estado de espirito e nada mais, é um estado que não se pode explicar”.
Leonora Carrington
“Surrealismos: arte para além da razão ” propõe uma mudança do olhar.
A exposição, realizada pela Pinakotheke, com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli, parte de uma leitura contemporânea do movimento e o apresenta como um campo expandido, atravessado por diferentes geografias e temporalidades.
Aqui, os surrealismos, no plural, são compreendidos como uma forma de pensamento que ultrapassa os limites da razão e afirma a imaginação como força
A mostra abre ao público a nova sede da Pinakotheke São Paulo, em Higienópolis.
Rua Minas Gerais, 246 - Higienópolis, São Paulo, SP.
De segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas
Sábados das 10 às 16 horas
A visitação é gratuita, em caso de atingirmos a capacidade máxima, os visitantes poderão aguardar no jardim.
Legendas:
ISMAEL NERY (1900-1934)
Figura com cubos [detalhe], cerca de 1928
O Surrealismo nasceu como ruptura estética e epistemológica ao reivindicar o inconsciente e o automatismo como dimensões constitutivas da experiência, sendo entendido como uma forma de pensamento que extrapola os limites da razão e afirma a imaginação como potência crítica.
Nesse contexto, apresenta-se Surrealismos: arte para além da razão, com curadoria de Max Perlingeiro e Tadeu Chiarelli. A exposição toma o centenário do Manifesto Surrealista de 1924 como ponto de partida para uma leitura contemporânea do movimento. Ao adotar o termo no plural, desloca o surrealismo de uma definição histórica e afirma sua condição de campo expandido, atravessado por diferentes geografias e temporalidades.
A exposição acontece em três núcleos: europeus, latino-americanos, norte-americanos e caribenhos, que funcionam como zonas de contato. O visitante é convidado a perceber os diferentes contextos sem perder a dimensão de um pensamento que opera por associação e invenção.
No percurso, torna-se evidente que o Surrealismo não se limita à representação do sonho. Como exemplifica a obra de Max Ernst, a imagem é o resultado de um processo em que associações inesperadas produzem novas realidades. A lógica da collage, frottage e decalcomania, cujas técnicas foram criadas dentro do movimento, estabelece uma lógica em que tudo pode tornar-se outra coisa.
Ao incorporar artistas brasileiros em diálogo com produções internacionais, os curadores ampliam ainda mais esse campo e reafirma o compromisso da Pinakotheke de conectar produções diversas em um mesmo horizonte crítico.
A mostra ainda incorpora revisões contemporâneas do movimento, incluindo a proeminência de mulheres artistas como Maria Martins (1894-1973) e Louise Bourgeois (1911-2010), e as relações entre Surrealismo, negritude e culturas não europeias. Reconfiguramos o entendimento do próprio movimento, evidenciando a sua capacidade de reinvenção.
Surrealismos propõe uma experiência de pensamento. Um convite a atravessar zonas de ambiguidade e a reconhecer, na arte, um espaço de liberdade. A imaginação, nesse contexto é uma forma de reconfigurar o real.
